Sua Saúde

Por que meu filho não me escuta?

Saiba o que deve ser feito para verificar se seu filho tem alguma perda auditiva, antes que ela se agrave

Um grande problema relacionado ao agravamento de diversos casos de surdez é o diagnóstico tardio, realizado depois de o indivíduo ter perdido estímulos sonoros necessários para o desenvolvimento da fala, vários deles ainda quando bebê.

De acordo com Patricia Luz, fonoaudióloga do ambulatório de audiologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Fundão, o ideal é que a deficiência auditiva seja identificada até o terceiro mês vida e o exame seja feito antes do sexto. Nesta idade, o procedimento mais adotado é a emissão otoacústica, mais conhecida como o "teste da orelhinha". "É aconselhável avaliar a audição da criança mesmo em situações em que não haja suspeita de perda auditiva, como depois do nascimento e na idade pré-escolar", recomenda.

A surdez pode ser ocasionada tanto por fatores pré e pós-natais. No primeiro caso, ela pode estar associada a fator Rh da mãe e consumo de álcool e tabaco durante a gravidez. São também desencadeadas por doenças como toxoplasmose, sífilis, citomegalovírus, herpes e, principalmente, rubéola por parte da gestante. "Devido à progressiva introdução de programas de vacinação, muitas mulheres em idade fértil se conscientizaram e passaram a se vacinar para prevenir a doença, o que possibilitou uma diminuição significativa de casos de rubéola na população brasileira durante as últimas décadas", diz Patrícia.

Há também o risco de o bebê ter uma perda auditiva devido a complicações no parto, entre elas diminuição de oxigenação. Existem também causas genéticas para surdez, sendo a mais freqüente a mutação do gene GJB2, que sempre deve ser investigada. Já os casos de surdez adquirida após a vida uterina são causados por exposição excessiva a ruídos, traumas no sistema auditivo, utilização de medicamentos ototóxicos e doenças como meningite, sarampo e caxumba. O aparecimento de otites do tipo média e aguda por três meses seguidos é outro sintoma que deve servir de sinal de alerta para os pais, especialmente se vier acompanhado de secreções no ouvido."Neste caso, a audição também terá de ser avaliada e o desenvolvimento de habilidades de comunicação da criança deve ser acompanhado", afirma Patricia Luz, que também é coordenadora acadêmica do Núcleo de Atividades do Fonoaudiólogo (NAF Brasil).

Além de saber como estimular o filho em casos de perda auditiva, também é importante que os pais saibam como evitá-la. De acordo com Patrícia, o ponto-chave da prevenção é a orientação durante a geração e a adesão das futuras mamães a campanhas de vacinação, especialmente àquelas dedicadas à rubéola.

Outra recomendação de Patrícia é ficar de olho no comportamento da criança. "Geralmente, as crianças que têm alguma perda auditiva apresentam sintomas como irritabilidade, demora para responder a estímulos sonoros e desatenção", conta.

Ao procurar atendimento especializado para realizar diagnóstico do filho, é aconselhável que os pais dêem preferência a locais que façam o diagnóstico de perda auditiva com uma equipe multidisciplinar, composta por pediatras, otorrinos, fonoaudiólogos e psicólogos. Outra preocupação é a inclusão da pessoa que tem qualquer tipo de deficiência auditiva na sociedade. De acordo com Patrícia Luz, no ambulatório do Hospital da UFRJ, todas as crianças que recebem este tipo de diagnóstico são acompanhadas por um fonoaudiólogo, uma psicóloga e um surdo adulto, que as ensina como se comunicar através da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os pais também acompanham o tratamento e são orientados pelos profissionais a buscar o tipo de educação mais adequada ao grau de audição do filho: a escola regular; a escola inclusiva (para crianças com e sem qualquer tipo de deficiência) e a escola especial, voltada apenas para pessoas com perda auditiva, na qual podem aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Exames e avaliações disponíveis:

Emissão otoacústica ("teste da orelhinha")
É o ideal na realização de triagem auditiva neonatal universal por avaliar a audição periférica da criança, de forma rápida e não invasiva. É realizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Uerj e no Instituto Nacional de Educação para Surdos (Ines).


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