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Aumento do porcentual de gordura, diminuição da massa muscular, anemia, alterações ósseas, diminuição do desejo sexual e da qualidade da ereção são os principais sintomas dos distúrbios androgênicos de envelhecimento masculino (DAEM), conhecidos popularmente como andropausa. O quadro costuma aparecer por volta dos 50 anos nos homens, quando ocorre uma diminuição da quantidade de hormônio masculino. Essa redução é de aproximadamente 35% entre 25 e 75 anos, e de 65% dessa idade em diante, segundo o estudo "Andropausa: insuficiência androgênica parcial do homem idoso. Uma revisão", realizado por Antonio Bonaccorsi e publicado nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia no início da década.
No texto, o pesquisador relaciona a intensidade e a idade de início da queda de testosterona a vários fatores, entre eles: hereditariedade, doenças crônicas e consumo de álcool, drogas e tabaco. Para se ter uma idéia, fumar mais de 10 cigarros por dia pode fazer com que a andropausa se inicie antes de 50 anos. Bonaccorsi também comenta que o critério de normalidade é baseado nos níveis de testosterona apresentados por homens mais jovens – método que os especialistas ainda não sabem se é válido para avaliar a funcionalidade androgênica. "Deve-se ainda considerar que o limiar de sensibilidade para a ação androgênica pode variar de tecido para tecido e de órgão para órgão, podendo ser diferente nos homens idosos e jovens", completa.
Segundo o urologista André Cavalcanti, o DAEM também é caracterizado por alterações no sistema nervoso central, que desencadeiam mudanças de humor, falta de concentração e quadros de depressão. "Em geral, o diagnóstico é obtido após verificação dos níveis de hormônio e dos sintomas, cuja intensidade pode variar de uma pessoa para outra", diz ele, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia.
O tratamento mais conhecido para minimizar os efeitos da andropausa é a reposição hormonal. De acordo com Cavalcanti, o procedimento costuma ser feito por meio de injeções intra-musculares, mas também pode ser realizado através de adesivos de lenta absorção. Medicamentos orais são pouco utilizados, pois costumam ser mais tóxicos para o fígado.
No entanto, o método tem contra-indicações, alerta André Cavalcanti. "Este procedimento não deve ser prescrito para homens que apresentam próstata com tumor ou aumentada e nem para os que estão com a função hepática alterada, a fim de evitar sobrecarga em nível hormonal". Cavalcanti conta também que alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais, como aumento da quantidade de glóbulos vermelhos (aumentando as chances de infarto e derrames), ginecomastia (crescimento das mamas), retenção de líquido e sais minerais, alteração no nível de colesterol ruim e no desempenho do fígado.
Cavalcanti ainda recomenda que, a partir dos 45 anos, todos os homens busquem acompanhamento de um urologista – mesmo os que ainda não apresentam sintomas da andropausa – e façam periodicamente exames de toque retal, entre outros. Homens com histórico familiar de câncer de próstata devem procurar o médico um pouco mais cedo, a partir dos 40. "Desta forma, o problema será diagnosticado cedo e tratado o quanto antes", diz Cavalcanti. Outros cuidados que ajudam o organismo a chegar à terceira idade em forma são a realização de atividades físicas regularmente, controle de peso, alimentação balanceada e procurar viver de forma menos estressante.