Sua Saúde

Campanhas anti-drogas

Médico sugere ações de prevenção e redução de danos em conjunto com os estudantes

É necessário oferecer aos estudantes mais serviços de apoio psicológico voltados para dependência química e disciplinas que coloquem em discussão os efeitos do uso de drogas. Esta é a conclusão apontada por diversas pesquisas que abordam o consumo de drogas por universitários. Uma delas, realizada por estudiosos da Universidade de São Paulo (USP) e publicada em 2006 pela Revista de Saúde Pública, afirma que o álcool é a substância mais utilizada (84%), seguida do tabaco (22,8%). Entre as drogas ilícitas, destacam-se maconha (19,7%), inalantes (17,3%) e os alucinógenos (5,2%). Também foi constatado que 10,5% dos alunos usaram "medicamentos com potencial de abuso", com destaque para anfetaminas (6,8%), tranqüilizantes (3,2%) e opiáceos (0,6%).

Para o coordenador do Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Cruz, uma das justificativas para o elevado consumo de álcool e tabaco entre universitários é o fato de tais substâncias serem de fácil acesso, encontradas geralmente em bares que cercam as universidades. As razões para o consumo de tais produtos variam de um indivíduo para outro, mas é possível fazer algumas generalizações. “Os motivos envolvem aspectos biológicos – suas ações no cérebro – e culturais, como uso em celebrações e para facilitar o convívio social. Há também fatores psicológicos. Exemplo disto são as pessoas que têm dificuldades emocionais e usam estas substâncias para se sentir melhor”, diz.

Já as drogas ilícitas são atrativas para os universitários por representarem uma novidade. “É um grupo que está em fase de vivenciar novas experiências, como intensa atividade social e de conquista afetiva e sexual. Desfrutam de maior liberdade para fazer muitas coisas e têm menos capacidade do que os mais velhos de avaliar riscos e como evitá-los quando os identificam”, explica Marcelo Cruz. De acordo com ele, estas substâncias costumam ser adquiridas com conhecidos que também consomem ou com traficantes.

Marcelo Cruz também destaca os danos desencadeados pelo consumo de drogas lícitas e ilícitas. Entre os efeitos crônicos, ele destaca o prejuízo da atenção e da memória em razão de alterações químicas, resultando em queda do desempenho acadêmico. “Além disso, jovens que usam drogas com freqüência têm menor interesse, energia e rendimento em seu processo de aprendizado”, completa.

Para reduzir os problemas relacionados ao uso de drogas, Marcelo Cruz aposta em três tipos de ações: controlar o acesso a tais substâncias, reduzir os riscos e aumentar ações preventivas. “No primeiro caso, é necessário reprimir o tráfico de drogas ilícitas. No segundo aspecto, é importante controlar o acesso quase ilimitado a bebidas alcoólicas em grandes festas e a perigosa associação entre beber e dirigir. A prevenção, por sua vez, não pode estar apenas focada em campanhas simplesmente informativas, pois esta faixa etária é pouco sensível a elas. Pode ser mais produtivo, por exemplo, convocar as lideranças para desenvolver ações de prevenção e redução de danos em conjunto com os estudantes”.

Para saber mais sobre os malefícios do álcool e do cigarro, acesse os sites do Ministério da Saúde e o do Inca.