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Com a chegada da estação mais quente do ano, o uso de aparelhos de ar-condicionado é intensificado. Entretanto, além de conforto térmico, o eletrodoméstico pode trazer também microorganismos, quando mal conservado, e com eles doenças. Segundo Zilma das Graças Nunes, microbiologista e doutora em vigilância sanitária do LABCON (Laboratório de Controle de Qualidade em Saúde) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os principais agentes encontrados em aparelhos sem higienização correta são ácaros da poeira, fungos, bactérias e partículas virais. Ela destaca que pode haver também grãos de pólen trazidos pelo vento, substâncias químicas e ainda, partículas físicas.
A exposição de um trabalhador, por exemplo, que passa cerca de oito horas em ambientes fechados com aparelhos de ar-condicionado ligados pode provocar várias reações alérgicas. Nunes ressalta que o tempo prolongado de contato com esses organismos é um dos principais problemas e pode acabar levando a complicações como asma brônquica e urticária, com placas na pele e coceira. Ela destaca ainda que, geralmente, o diagnóstico desses distúrbios é demorado, pois as pessoas custam a associar o ambiente de trabalho com as reações.
Além de reações alérgicas, ainda há outras complicações que podem ser desenvolvidas. Segundo Zilma, em ambientes onde há contato com substâncias químicas voláteis, por exemplo, como empresas de produtos químicos, funcionários que não lidam diretamente com essas substâncias e, portanto, não fazem uso de equipamento de proteção, podem ser expostos às substâncias levadas pelo ar-condicionado para salas vizinhas.
Ela destaca ainda que algumas pessoas podem contrair infecções, mas afirma que estes casos são menos comuns. "O indivíduo pode pegar infecção, por exemplo, se já tiver uma pré-disposição e aí pode desenvolver pneumonia ou infecção no trato respiratório", diz. Porém, Nunes afirma que a principal preocupação é alérgica, pois ela tem um impacto na rotina; horas de trabalho são perdidas, assim como horas das crianças na escola.
Diante das possíveis complicações que podem surgir, Nunes sinaliza que a prevenção da qualidade do ar ambiente é muito importante. "Afinal, ela sai mais barata para as empresas do que o custo de tratamento", conclui.
Veja outras informações importantes:
Manutenção do ar-condicionado - é fundamental e obrigatória em ambientes de uso público e coletivo. No Rio de Janeiro, a obrigatoriedade de limpeza anual é estipulada pela Lei Nº 4192, de 01 de outubro de 2003.
Análise da qualidade do ar - Segundo a doutora Zilma das Graças Nunes também é obrigatória e deve ser feita em áreas públicas de seis em seis meses. Nos locais abaixo, você pode solicitar este serviço.
- O LABCON presta este serviço de análise. Endereço: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Centro de Produção, Labcon. Rua São Francisco Xavier, 524, pav. Haroldo Lisboa da Cunha, sala 500. Maracanã. Rio de Janeiro, RJ - Brasil. Telefone: (21) 25877256, e-mail: labcon@uerj.br
- O Centro de Tecnologia Ambiental do Sistema FIRJAN também presta o serviço. Endereço: Rua Morais e Silva, 53 - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ. Tel. (21) 3978-6100, e-mail centroambiental@firjan.org.br.