Sua Saúde

Atletas geneticamente modificados

Doping genético pode vir a ser utilizado futuramente em competições esportivas

No final de 2007, a nadadora Rebeca Gusmão atraiu os holofotes da imprensa para si, desta vez, não por ocupar o lugar mais cobiçado do pódium, mas por ser acusada pela Organização Desportiva Pan-americana de utilizar doping para melhorar sua performance nos Jogos Pan-americanos. Resultado: a desportista teve que devolver sua medalha, assim como o pesista brasileiro Fabricio Mafra, o ciclista colombiano Libardo Niño e o jogador de beisebol Pedro Wilder Rayo, da Nicarágua.

Todos os casos foram detectados por meio de exames realizados com 5.633 atletas que participaram da competição. No entanto, a tendência é que, nos próximos anos, seja cada vez mais difícil identificar quem não está jogando limpo devido ao aparecimento de um novo tipo de técnica utilizada para incrementar o desempenho de desportistas: o doping genético.

Inserido na lista da Agência Mundial Antidopagem (AMA) desde 2003, o método visa à utilização não-terapêutica de células, genes, elementos genéticos ou modulações da expressão dos genes para aumentar o desempenho de um atleta, explica Eduardo Henrique De Rose, responsável pelo controle antidoping do Departamento Médico do Comitê Olímpico Brasileiro.

O especialista em Medicina do Esporte acredita que a técnica só existirá de fato quando a terapia genética for uma realidade. Segundo ele, o método poderá modificar a excreção de glândulas internas, aumentar o volume e modificar os tipos de fibras musculares, e ser capaz de produzir clones. Em termos de eficiência, o doping genético pode ser comparado ao medicamentoso, mas conta com uma diferença: “é impossível de ser detectado pelas técnicas disponíveis, pois a produção maior dos hormônios é de tipo endógeno e não exógeno. Além disso, não requer a utilização de substâncias ilícitas, mas células ou tecidos modificados”, explica De Rose.

De acordo o médico, “como a técnica ainda não é utilizada, não existem métodos rotineiramente empregados na luta antidoping”. No entanto, para prevenir que episódios envolvendo este tipo de dopagem venham a acontecer, a AMA tem empregado a maior parte de seu orçamento de pesquisa nesta área. “O método que tem uma atenção maior é o uso de placas para controlar proteínas externas, que identificariam no atleta a utilização deste método”, revela De Rose, que também é membro da Comissão Médica e Científica e do Conselho de Fundação da entidade.

Ainda segundo Eduardo Henrique De Rose, os efeitos colaterais do doping genético ainda não são totalmente conhecidos por ser uma forma de dopagem emergente. “Nas poucas vezes em que foi usada como terapia genética em casos terminais, ocasionou a morte por câncer do paciente. Provavelmente, este será o risco maior para os atletas que tentarem usar esta técnica no futuro”, diz.

Para saber mais sobre o assunto, visite o site da Agência Mundial Anti-doping e a página do Comitê Olímpico Brasileiro.