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Entre os adolescentes e jovens é comum o termo "ficar", que significa se relacionar afetivamente com alguém, mas sem, necessariamente, ter um compromisso. Porém, na hora de conhecer e beijar pessoas desconhecidas é preciso ficar atento às possíveis conseqüências, como a mononucleose.
Segundo Paulo Feijó, professor de Infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é melhor realmente ter cautela na hora de ter um affair com os desconhecidos para não acabar adquirindo mononucleose infecciosa. A patologia é causada pela ação do vírus Epstein-Barr, transmitido de diversas formas, entre elas transfusão de sangue, transplantes e, principalmente secreção na saliva - daí ser chamada de doença do beijo. "Ela não é habitualmente identificada, podendo passar desapercebida, mas costuma ser diagnosticada em crianças e jovens", diz o médico.
Os efeitos da mononucleose infecciosa não são graves, garante Paulo Feijó, mas causam bastante desconforto. Na fase aguda da doença, o indivíduo contaminado apresenta febre, mal estar e bastante cansaço, angina (dor de garganta acompanhada de um pouco de secreção), gânglios em diversas partes do corpo (especialmente no pescoço) e fígado e baço inchados. No geral, o tratamento se resume a repouso e controle dos sintomas.
Assim como acontece com o herpes, o agente causador da doença fica instalado no organismo de quem o contraiu para o resto da vida, porém só se é transmitido nas 4 semanas iniciais. Entretanto, quando alguém contrai um problema que afeta o sistema imunológico como HIV ou câncer pode haver reincidência da mononucleose e aí esta pessoa pode transmitir o vírus do mesmo jeito. "É dar a sorte de não beijar a boca errada", brinca o médico.