Sua Saúde

Bola na rede, saúde renovada

Torcer por um time de futebol ajuda cariocas a terem melhor qualidade de vida

Grande parte dos cariocas compartilha a paixão pelo futebol, modalidade com status de patrimônio da cultura coletiva do país. O fenômeno também é comum em outras nações como Alemanha, França e Itália, mas assumiu aqui um significado especial justamente por ter seu desenvolvimento intrinsecamente ligado à nossa história social, conta o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Murad, especializado em Sociologia do Futebol. "O esporte chegou em São Paulo pela elite branca, que importou o modelo dos ingleses. Foi logo incorporado por ser barato, ter regras simples e não exigir tipo físico específico, e acabou sendo reinventado no Rio, onde sofreu influência cultural dos negros, que, progressivamente, conquistaram seu espaço na sociedade", conta.

Ainda de acordo com o especialista, foi justamente desta herança negra, repleta de movimento, ginga, e que tem no corpo um instrumento de criação, que veio o famoso futebol-arte brasileiro, eternizado nos dribles de Garrincha e nas pedaladas do Robinho. Segundo ele, outro fato que colaborou para que o Rio estreitasse os laços com as chuteiras foi seu passado de capital da República, que ajudou a consolidar a metrópole como um pólo de futebol com as ondas da Rádio Nacional.

Na opinião do sociólogo, esta paixão dos cariocas por gols faz bem à saúde. Segundo Maurício Murad, o futebol é saudável na medida em que funciona como uma festa popular onde há uma catarse coletiva a cada lance, que chega ao ápice na hora do gol, momento em que até estranhos se confraternizam. "Torcer está muito ligado à euforia, ao riso que, como é sabido, ajuda a prevenir várias doenças. Além disso, quando nosso time faz um gol, ficamos mais alegres, felizes e relaxados", comenta.

De acordo com a psicóloga clínica e desportiva Ilana Levinson, os benefícios não param por aí. Além de dar um ânimo novo ao torcedor, o futebol funciona como uma oportunidade para socializar e aumenta a vibração celular dentro do corpo, ocasionando na liberação de vários hormônios, entre eles a endorfina. "Por isso, após uma partida sentimos a mesma vitalidade desencadeada depois de um exercício de ginástica".

No entanto, como tudo na vida, o futebol precisa ser "consumido" com moderação, para não causar danos à saúde, adverte Ilana Levinson. Segundo a especialista, o mais comum deles é a liberação excessiva de adrenalina que pode levar até a um problema cardíaco.

Ainda de acordo com a psicóloga, tais casos devem ser vistos com atenção, pois podem ser a manifestação de um problema de comportamento por parte do torcedor, que geralmente apresenta outros tipos de compulsão, como, por exemplo, o consumo excessivo de bebidas. Para Ilana, existe uma diferença entre o torcedor fanático e o apaixonado. "Um vive em função do futebol e deixa que o esporte interfira na sua vida de forma exagerada, enquanto o outro utiliza uma partida como um pretexto para viajar, se encontrar com os amigos e aproveita cada apresentação do time da forma mais prazerosa possível", distingue.