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Se tivessem que fazer uma prova para avaliar os conhecimentos sobre formas de prevenir a dengue, os cariocas provavelmente passariam com louvor na teoria, mas, na prática, ficariam em recuperação ou até reprovados. A grande maioria sabe listar os cuidados necessários para impedir o aparecimento do mosquito Aedes Aegypti, mas, na hora de seguir as diretrizes, geralmente só os que já tiveram a doença se mobilizam, conta Rosane Meirelles, pesquisadora visitante do Laboratório de Biologia Celular da Fundação Oswaldo Cruz.
"Acontece o mesmo com as de campanhas de fumo. As pessoas vêem a imagem das conseqüências do consumo de cigarro, mas o usam normalmente. No entanto, não queremos que as pessoas fiquem doentes para se sensibilizarem", defende Rosane.
A única saída para dar fim à epidemia é controlar o aparecimento do vírus e do mosquito transmissor, tarefa dificultada por inúmeras causas. "As principais são o surgimento de novos vírus através de mutações, a chegada do período de chuvas, e a falta continuidade de ações voltadas para garantia de saneamento básico e atendimento médico a fim de identificar e tratar rapidamente os casos suspeitos", diz.
Quem pensa que o aparecimento de focos de dengue está associado apenas a localidades pobres se engana, alerta a bióloga. Segundo ela, um estudo da Fiocruz apontou que os segmentos mais abastados da população também se descuidam no combate à dengue. "Encontramos muitos focos em casas de veraneio, onde existem piscinas, que funcionam como macrocriadores", diz.
Diante de todos estes empecilhos ao combate da doença, questionar como é possível reverter esse quadro parece inevitável. Para Rosane Meirelles, a resposta de tal indagação se resume à educação. Em 2003, ela e outros pesquisadores da Fiocruz iniciaram o Programa de Desenvolvimento de Tecnologia em Saúde Pública em escolas das redes pública e privada do estado do Rio de Janeiro. As campanhas contam com materiais didáticos, como cartilhas, e apelam, vez ou outra, para o lado lúdico através de jogos, como um tabuleiro gigante em forma de trilha, que faz um apanhado geral sobre a história da doença e suas curiosidades.
Para Rosane, a conscientização em sala de aula é uma das armas mais poderosas para acabar com o Aedes Aegypti. "Em cada sala de aula, atingimos cerca de 40 crianças, que se tornam multiplicadoras de conhecimentos. Discutem o assunto na escola e, quando chegam em casa, fiscalizam os pais. Provavelmente, se este método fosse efetivamente aplicado, a quantidade de episódios de dengue diminuiria", defende.
Clique aqui para ter acesso à cartilha do o Programa de Desenvolvimento de Tecnologia em Saúde Pública.
Para saber mais como prevenir a dengue e identificar os principais sintomas da doença, acesse www.dengue.org.br.