Sua Saúde

Diálogo com o mundo dos sonhos

Oficinas oferecidas pelo Museu de Imagens do Inconsciente ajudam pessoas a tratarem transtornos psíquicos através da expressão plástica

O espaço foi fundado em 1952, para apresentar e estudar as obras produzidas na Seção de Terapêutica Ocupacional do antigo Centro Psiquiátrico Nacional do Rio de Janeiro (atual Instituto Municipal Nise da Silveira). "Nele, eram oferecidas atividades lúdicas aos pacientes, entre elas: dança, jardinagem, salão de beleza e pintura e modelagem, que foram as de maior destaque. A partir delas, a médica psiquiatra e ativista política, Nise da Silveira, falecida em 1999, percebeu o potencial das imagens como meio de compreender o mundo do esquizofrênico", conta Luiz Carlos Mello, diretor do Museu de Imagens do Inconsciente.

De acordo com Mello, Nise acreditava que o tratamento de pessoas com transtornos mentais poderia ser feito a partir da linguagem não-verbal e da imagética. "A comunicação com o esquizofrênico, nos casos graves, terá um mínimo de probabilidade de êxito se for iniciada no nível verbal de nossas relações interpessoais. Isso só ocorrerá quando o processo de cura já se achar bastante adiantado. Será preciso partir do nível não-verbal. É aí que particularmente se insere a terapia ocupacional, oferecendo atividades que permitam a expressão de vivências não-verbalizáveis por aquele que se acha mergulhado na profundeza do inconsciente, isto é, no mundo arcaico de pensamentos, emoções e impulsos fora do alcance das elaborações da razão e da palavra", explica ela, em um dos painéis históricos em exposição no Museu.

Após o falecimento de Nise, seu método e trabalho permanecem sendo executados pelos profissionais de Saúde Mental que realizam atendimentos nas dependências do estabelecimento cultural. Segundo Luiz Carlos Mello, atualmente o Museu de Imagens do Inconsciente oferece, de segunda a sexta-feira, oficinas de pintura, modelagem e musicoterapia para pacientes encaminhados por outras unidades hospitalares. "Já aqueles que chegam até nós por iniciativa própria são entrevistados para avaliarmos se eles têm o perfil para participar dos ateliês", diz.

Outro atrativo do espaço é seu acervo que contém aproximadamente 350 mil obras plásticas. Entre os trabalhos, encontram-se as coleções de Adelina Gomes, Artur Amora, Carlos Pertuis, Fernando Diniz, Isaac Liberato, Octávio Ignácio, Raphael Domingues e Emygdio de Barros. Parte deles está exposta na sede do Museu, os demais são exibidos em outros cantos do País, como a exposição que será realizada em agosto deste ano no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. "Nestes eventos, também organizamos cursos, promovemos debates e exibições de filmes relacionados à nossa proposta e ao trabalho de Nise", afirma Luiz Carlos.

O acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, segundo o diretor, está sendo informatizado. "Todas as obras serão condicionadas e catalogadas, a fim de preservar esta coleção preciosa, tanto do ponto de vista artístico quanto científico", diz.

Para conhecer mais o trabalho desenvolvido no Museu de Imagens do Inconsciente, acesse o site. Lá você encontra informações sobre visitas guiadas, como chegar ao local, detalhes do acervo e ainda exposições virtuais.