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Aulas de educação física estão longe de ser unanimidade entre os estudantes. Enquanto alguns contam os dias para elas chegarem, outros fazem de tudo para driblá-las. Leis criadas pelo Ministério da Educação tornam a disciplina obrigatória da 5ª a 8ª séries, mas permitem que os alunos sejam liberados dela ao apresentarem declarações de academias e clubes que comprovem a prática de atividade física. Nestes casos, estudantes são avaliados por meio de trabalhos teóricos.
Silvio Barbosa, professor de fisiologia do exercício do Instituto de Educação Física e Desportos da Uerj concorda em parte com a medida do MEC. O educador diz concordar com a liberação de alunos que efetivamente realizam um exercício físico fora da escola, mas se declara totalmente contra a utilização de atestados médicos genéricos, que não especifiquem as razões que impedem a criança de realizar a atividade.
Segundo Barbosa, a recusa em participar da disciplina na escola está relacionada a múltiplas causas, entre elas o estilo de vida atual que favorece o sedentarismo entre os mais jovens, seja pelo oferecimento de tecnologias de entretenimento que reforçam ainda mais a comodidade e o lazer individual – computadores e videogames – seja pela falta de espaços voltados para atividades físicas. "No passado, os pais tinham o hábito de correr na Floresta da Tijuca ou nas Paineiras e levavam seus filhos. Desde pequenos, eram incentivados a fazer algum esporte. Hoje, porém, este estímulo é bem menor, até pela falta de segurança da cidade", afirma Barbosa.
O fisiatra também acredita que a aversão de alguns estudantes à disciplina está relacionada à conduta de muitos professores de Educação Física junto à turma. Segundo Barbosa, não basta chegar para a aula com bola, fazer a chamada, dividir os times e deixar tudo por conta das crianças. É necessário conhecer a turma e montar um programa de atividades prazerosas, que façam com que os alunos peguem o gosto pelo esporte, e avaliações adequadas ao rendimento de cada estudante.
Para motivar os alunos, Barbosa aposta também em parcerias com outras disciplinas, procurando agregar novos conhecimentos ao esporte. "O educador pode utilizar um caso de doping para falar sobre ética; uma olimpíada para falar sobre geografia; física e matemática para falar sobre velocidade em uma determinada modalidade. Isto pode atrair a curiosidade de outros alunos", ressalta.
Outra atitude importante, na opinião do educador, é ressaltar a contribuição dos exercícios físicos para a prevenção de doenças e melhora do rendimento escolar. "O professor deve criar um programa de aulas com caráter aeróbico, o que permite aos alunos melhorar a capacidade de oxigenação de todo o organismo e capacidade cognitiva. Eles devem também praticar exercícios que utilizem diferentes partes do corpo para que adquiram uma boa experiência motora. Isso diminuirá o risco de lesões, problemas posturais e doenças como diabetes, hipertensão e obesidade", destaca.