Sua Saúde

Febre amarela: esclareça suas dúvidas

Especialistas falam sobre variações da doença, sintomas, prevenção e chance de surto no Rio.

Nesse início de ano, a febre amarela tomou conta dos jornais. Causada por um flavírus, a doença existe apenas na América do Sul, América Central e África. No Brasil, ela se apresenta de duas formas: a silvestre e a urbana. O vetor do primeiro tipo é o mosquito Haemagogos e os reservatórios, macacos que vivem em áreas de circulação do vírus. Já o transmissor da urbana é o Aedes aegypti. “Nesse caso, ele tem que picar alguém infectado com o vírus e depois uma pessoa não-imunizada. No momento, a febre amarela urbana é pouco provável, mas não é impossível”, explica Roberto Fiszman, chefe do Serviço de Epidemiologia e Avaliação do Hospital do Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os dois tipos da doença ainda possuem variantes: podem se manifestar de forma branda ou grave, alerta o infectologista Rogério Valls, especialista em vacinas do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, da Fiocruz. “A branda não costuma evoluir com icterícia (cor amarelada na pele). O hemograma apresenta diminuição do número de leucócitos, sugerindo uma infecção viral. Na grave, o paciente evolui com icterícia, sangramentos, alteração da função renal e do nível de consciência”, afirma.

Em ambas as formas, a febre amarela é caracterizada, primeiramente, por febre alta, dor de cabeça e muscular, vômito e diarréia – sintomas também detectados na dengue, malária e leptospirose. Para que não haja confusão no diagnóstico, são realizadas avaliações clínica e complementar, por meio de exames. “Só a partir daí será determinado o tipo de tratamento a ser realizado”, diz Fiszman. Segundo o médico, só costumam chegar no hospital os casos graves. “Muitas vezes, os que têm a versão branda, a mais comum, nem percebem que têm a doença e, por isso, não buscam assistência”, diz.

De acordo com os especialistas, a melhor forma de prevenção é a vacina, indicada para quem viaja para as áreas de risco. A medida, contudo, precisa ser utilizada com cautela, pois possui contra-indicações. “Não devemos aplicá-la em pessoas alérgicas a ovos e derivados, pois pode matá-las. Quem tem doença febril aguda, deve melhorar para receber a dose. Pessoas doentes precisam de avaliação do médico para pesar riscos e benefícios”, diz Roberto Fiszman. Nestes casos, os únicos meios de prevenir a febre amarela são evitar as áreas de risco, usar repelente e redes.

Segundo o infectologista Rogério Valls os principais instrumentos para o monitoramento da febre amarela até agora são a vigilância epidemiológica de casos da doença, e a entomológica – a captura de mosquitos e a detecção de epidemias com morte em macacos. Para o especialista da Fiocruz, o risco de a forma urbana aparecer no Rio é mínimo. “O sistema de proteção adotado no estado tem sido eficaz nos quarenta anos de reintrodução do Aedes em nossas cidades”, garante.

Para Roberto Fiszman, o reaparecimento da forma urbana no Rio de Janeiro não é impossível, mas a probabilidade é tão pequena que torna um surto pouco provável.

Para saber mais sobre febre amarela, acesse os seguintes links:
Centro de informações em Saúde para viajantes – www.cives.ufrj.br
Centro de Vacinação de Adultos – www.cva.ufrj.br