Sua Saúde

Atividades físicas auxiliam tratamento da fibromialgia

Verificada geralmente em mulheres, doença é caracterizada por dores intensas que interferem no desempenho do trabalho

Se estiver sentindo fadiga e cansaço diurno, enxaqueca e dores pelo corpo, principalmente na coluna e nas coxas, por mais de três meses, fique alerta. Pode ser a hora de procurar um reumatologista de confiança e verificar se está com fibromialgia, síndrome verificada especialmente entre as mulheres e que costuma ocasionar bastante desconforto, prejudicando o rendimento na hora de pegar no batente. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o quadro é verificado em 3 a 5% da população mundial, considerando crianças e idosos.

De acordo com Mário Newton Leitão, professor da Faculdade de Medicina e chefe do Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), existem causas primárias e secundárias para o desenvolvimento do quadro. No primeiro caso, o médico destaca mudanças no nível de hormônios neurotransmissores, especialmente da serotonina, responsável pelo controle neuroendócrino. “Já o segundo grupo inclui fatores como menopausa, doenças intestinais, psicossomáticas e endócrinas;”, completa.

O professor afirma que a fibromialgia também pode vir acompanhada de alterações comportamentais como falta de sono e instabilidade emocional, caracterizada principalmente por ansiedade e depressão. “Ambas estão relacionadas à intensidade da dor. Em alguns casos, ela é tão intensa que chega a restringir as atividades físicas e o desempenho da paciente no trabalho. No entanto, são sintomas considerados dúbios por alguns especialistas”, diz.

Segundo Mário Newton Leitão, “não há como prevenir a doença”. A ação do profissional de saúde é voltada para o tratamento dos sintomas, o que pode requerer utilização de medicamentos antidepressivos. “Eles alteram a recaptação de serotonina, levando a uma sensação de bem-estar”, diz. O reumatologista também recomenda a realização de exercícios físicos. “Estimulam a liberação de endorfina, melhorando a capacidade emocional e física da paciente”, afirma.

A ioga pode ser uma boa saída para amenizar as dores relacionadas à doença, diz o texto do artigo “Ioga e fibromialgia” , de 2006, publicado na Revista Brasileira de Reumatologia. Escrito pelos professores Gerson D’Addio da Silva e Laís Lage, da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (USP), o estudo aponta que, por ser suave, tal atividade física é mais aceitável para pacientes com fibromialgia, que tendem a ser sedentários. “Iniciar um programa de condicionamento nestas condições pode ser sofrível e muitos desistem, alegando aumento das dores e da fadiga”, justificam.

Ainda de acordo com Silva e Laís, o aumento da flexibilidade proporcionado pelas posturas de alongamento pode ajudar a controlar fadiga e dor, que em alguns casos são agravadas por quadros de rigidez e encurtamentos musculares. Mas para que os benefícios da ioga não sejam substituídos por complicações é necessário procurar as modalidades de baixo impacto e manter acompanhamento médico, para que possam ser feitas todas as adaptações necessárias.