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Atualmente, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, existem no mundo aproximadamente 1 bilhão de pessoas com hipertensão arterial, número que deve aumentar em 30% nos próximos 20 anos. No Brasil, o quadro é diagnosticado em 25 milhões de indivíduos – 3,5 correspondem a crianças e adolescentes – e é uma das principais causas de morte. Em 2003, por exemplo, foram contabilizados 274 mil óbitos relacionados a doenças cardiológicas, quantidade que equivale ao dobro do número de mortes por câncer. Tais estatísticas chamam cada vez mais a atenção dos médicos e servem de motivação para campanhas que abordem a patologia, que ocorrem no dia 26 de abril, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão.
Em 2008, a mobilização vem amparada no slogan "Tratar a pressão alta é um ato de fé na vida" na tentativa de enfatizar a necessidade de força de vontade e disciplina no tratamento da doença, diz Antonio Felipe Sanjuliani, diretor científico da Sociedade Brasileira da Hipertensão (SBH) e da Sociedade de Hipertensão do Estado do Rio de Janeiro (SOHERJ). “Estamos diante de um problema silencioso, que não mostra sintomas perceptíveis, a não ser quando acontecem complicações como o acidente vascular encefálico ou infarto do miocárdio – duas das maiores causas de morte da população brasileira”, explica.
As principais causas da hipertensão são obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal e bebidas alcoólicas, tabagismo e pílulas anticoncepcionais. Segundo Sanjuliani, a doença não apresenta sintomas específicos e pode progredir silenciosamente dando margem a complicações. “Alguns pacientes podem apresentar dor de cabeça, tonteira, cansaço e mal estar, mas esses sintomas podem estar relacionados com outros problemas”, afirma ele, que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
A possibilidade de desenvolver o quadro aumenta conforme a idade, mas o número de casos envolvendo crianças e adolescentes aumentou nas últimas décadas. De acordo com Sanjuliani, levantamento realizado por pesquisadores da Uerj com jovens de 6 a 15 anos mostra que a pressão arterial está diretamente ligada a peso corporal e fatores de risco metabólicos (hiperglicemia e hiperinsulinemia, por exemplo). “O nível de pressão nessa faixa etária ainda pode ser afetado por fatores genéticos – história de hipertensão nos pais e irmãos, obesidade, sensibilidade ao sal e genes reguladores da pressão – e ambientais, como nível sócio econômico, peso ao nascer, atividade física e estresse”, completa o médico.
Os benefícios das ações de combate à doença são incalculáveis, garante o especialista. Segundo Antonio Felipe Sanjuliani, estudos mostram que o controle da pressão arterial é capaz de reduzir de forma significativa as doenças cardíacas, os derrames cerebrais e a mortalidade por essas doenças. O tratamento deve ser feito sempre sob orientação médica, de preferência com o auxílio de uma equipe multiprofissional. A lista de mudanças a serem implementadas pelos pacientes inclui emagrecimento (para sobrepesos ou obesos), redução da ingestão de sal, execução de exercícios físicos regularmente (com avaliação médica prévia) e substituição de doces e derivados do açúcar por frutas e opção por alimentos com baixo teor de gorduras. “Também é necessário limitar a ingestão de bebidas alcoólicas e parar de fumar”, completa o especialista.