Sua Saúde

Coração sem forças para bombear

Causada principalmente pela hipertensão arterial, insuficiência cardíaca compromete toda circulação e pode ser prevenida

Desmaio, fraqueza e falta de ar podem ser indicadores de que o coração se encontra sem força suficiente para bombear sangue para o resto do corpo – quadro chamado de insuficiência cardíaca. “Quando isso ocorre, o indivíduo começa a ficar limitado e passa a não conseguir mais realizar atividades que antes faziam parte da sua rotina, até algumas corriqueiras, como fazer sua higiene pessoal e se alimentar”, diz a médica Helena Martins, chefe do Departamento de Cardiopatias e Clínica em Insuficiência Cardíaca do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).

As complicações desencadeadas pelo quadro não param por aí. De acordo com a cardiologista, o bombeamento insuficiente pode deixar o sangue retido no pulmão. “Por isso, ele pode levantar se sentindo sufocado na parte da noite. Algumas pessoas têm até que dormir sentadas”, explica. Outra conseqüência verificada nos episódios mais graves é a formação de edemas, desencadeada pelo acúmulo de sangue, principalmente nas pernas e no abdômen. “Neste caso, a falta de espaço na região abdominal faz com que o indivíduo se sinta ‘cheio’ e, por isso, coma pouco. Também podem aparecer edemas no intestino. Isto dificulta a absorção dos próprios medicamentos e faz com que seja necessário recorrer à medicação venosa e internação para eliminar líquido em excesso”, diz Helena.

As causas da insuficiência cardíaca são diversas. Geralmente, está associada a outras doenças cardíacas, que variam conforme a faixa etária. Em idosos, predominam os casos de doença arterial coronariana, especialmente nos homens. Nos mais jovens, a miocardite: inflamação do miocárdio, que pode ser desencadeada por vírus. Nem os bebês escapam do risco. “Eles estão sujeitos à cardiopatia congênita e miocardia periparto, que é rara”, conta Helena Martins.

No entanto, revela a especialista, tais doenças não são as principais “destruidoras de corações”. “Infelizmente, a maioria dos casos é decorrente de hipertensão arterial não-controlada, que poderia ser facilmente prevenida por meio de campanhas educativas”, diz. Outro fator de risco citado pela cardiologista é o consumo de álcool. De acordo com Helena Martins, mesmo os que não bebem até cair correm perigo. “O álcool enfraquece a musculatura cardíaca. Sendo assim, aqueles que tomam diariamente uma pequena dose podem desenvolver doenças, especialmente os que consomem bebidas destiladas”, alerta.

O tratamento da doença varia de pessoa para pessoa. Geralmente, são prescritos medicamentos cardiotônicos, vasodilatadores e diuréticos, mas também podem ser realizados alguns procedimentos cirúrgicos, todos com indicação bem restrita. “Existe a possibilidade de se colocar um marcapasso especial (que torna a musculatura mais forte para bombear) e de fazer um transplante cardíaco. No entanto, tais procedimentos são mais difíceis de serem implementados por serem complexos e envolverem alto custo. A tendência é que surjam soluções eficazes e mais acessíveis a partir de pesquisas feitas com células-tronco, que ainda estão em avaliação”, revela Helena Martins.

Deixar a preguiça de lado e fazer atividades físicas é outra medida importante para tratar os quadros de insuficiência, destaca a médica. Segundo ela, a musculatura periférica (das pernas) também funciona como um “pequeno coração”. Sendo assim, quando é estimulada, ajuda a bombear sangue para outras partes do corpo. “Além disso, quando realizados regularmente, os exercícios ajudam a diminuir a pressão e tornam a freqüência cardíaca mais tranqüila”, acrescenta, lembrando que tais atividades precisam ser rigorosamente indicadas por médicos.

Alimentação saudável também é imprescindível para a recuperação do paciente. Além de evitar frituras e pratos ricos em gordura é necessário fugir de alimentos ricos em sódio, como conservantes, corantes e o próprio sal. “O sal retém muita água, fazendo com que o organismo tenha dificuldade de manejar uma grande quantidade de líquido. É melhor dar preferência aos alimentos mais naturais”, recomenda Helena Martins.

O Instituto Nacional de Cardiologia oferece um Programa de Reabilitação Cardíaca. Para obter mais informações sobre o serviço, acesse o site do INC ou ligue para (21) 2285-3344.