Sua Saúde

Batalha dentro e fora da tela

Leucemia afeta 9.200 brasileiros por ano e pode ser curada com transplante de medula óssea.

Na novela “Sete Pecados”, atualmente no ar na TV Globo, Julieta, a personagem da atriz Nicete Bruno, tenta conseguir um doador de medula óssea que a ajude a vencer a leucemia. Na vida real, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), 9.200 casos novos da doença aparecem a cada ano. Os homens são os mais atingidos: representam 5 mil casos, enquanto as mulheres, 4 mil.

Originadas na medula óssea, células mielóides e linfóides se diferenciam, dividem e dão origem ao sistema hematopoiético (sangue). A leucemia acontece quando o desenvolvimento delas passa a ser descontrolado e muito rápido, ocupando espaço na medula óssea e impedindo o desenvolvimento de outras células (hemácias, leucócitos e plaquetas).

Segundo Luís Fernando Bouzas, médico do Inca, o tipo da doença depende da célula afetada. Na linhagem mielóide, há produção exagerada de hemácias e plaquetas e, na linfóide, a de leucócitos. A doença também pode ser aguda ou crônica. “Adultos acima de 30 anos tendem a apresentar leucemia da linhagem mielóide ou linfóide crônica, enquanto crianças e adolescentes, os tipos agudos”, diz o médico.

O tratamento é feito por meio de medicamentos, que atuarão no crescimento celular fazendo com que ele volte ao seu estágio inicial, e de quimioterapia e radioterapia (em crianças e adolescentes), que destroem tanto as “células boas” como as “ruins”. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a recuperação. “Crianças em estágio inicial e intermediário da doença têm 80% de chances de cura, porém naquelas em estágio avançado, isto não é tão freqüente”, exemplifica.

Quando o tratamento não funciona devido a causas genéticas ou estágio em que se encontra a leucemia, é cogitado o transplante de medula óssea. Para que ele seja realizado, é necessário compatibilidade do chamado fator HLA, determinado pelo DNA do cromossomo X. “Os doadores são procurados, inicialmente, na família, começando por irmãos e pais e, depois, primos e outros parentes. A chance de encontrar um doador é de cerca de 35%”, diz Luís Fernando Bouzas.

Há ainda duas formas de conseguir uma medula compatível: utilizando células-tronco do cordão umbilical do paciente ou recorrendo a um banco de doadores. O cadastro de doadores existe no Brasil desde 1993 e, hoje, conta com mais de 560 mil nomes. O voluntário precisa ter entre 18 e 55 anos, boa saúde e não ter tido doenças transmitidas pelo sangue, como hepatite. “É também importante que ele não faça isso apenas embalado por campanhas promovidas pela mídia. Deve ter a consciência de que pode esperar anos para ser chamado e, por isso, tem sempre que atualizar seus dados para que possamos contar com ele”, ressalta Bouzas.

Para se inscrever no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, entre em contato com o Instituto Nacional do Câncer. O endereço é Rua do Resende, 195, térreo – Centro. Os telefones de contato são 3970-2382 e 3970-4100.