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Para oito em cada dez norte-americanos, o estresse é uma parte natural da vida. O dado é de uma pesquisa realizada em 2007 pela Associação Americana de Psicologia. O estudo envolveu mais de 1.800 adultos. Um terço deles contou experimentar altos níveis de estresse regularmente e 48% acreditavam que o problema aumentou nos últimos cinco anos. Além disso, 77% disseram apresentar fadiga, dor de cabeça, distúrbios estomacais e outros sintomas físicos como resultado do estresse. Sintomas psicológicos, entre os quais irritabilidade, nervosismo e falta de motivação, foram relatados por 73% dos participantes.
Diante desse cenário, coloca-se em discussão a necessidade do ócio criativo, expressão que ficou famosa no Brasil a partir de 2000, com a publicação de um best seller do sociólogo italiano Domenico De Masi. "Dar-se um tempo, desligar, pensar em coisas criativas, escrever poesia, namorar, divertir-se, fazer o que tem a ver com você ou simplesmente permitir-se não fazer nada em algum momento: isso é o ócio criativo, importante para a pessoa se manter saudável. Ele é oposto ao ritmo frenético do dia-a-dia", afirma a psicóloga Maria Inês Bittencourt, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O ócio criativo pode fazer bem não só para a saúde, mas também para a produtividade no trabalho, onde o excesso de cobrança provocaria efeito oposto ao desejado: no inquérito norte-americano, mais da metade dos entrevistados admitiu ser menos produtivo por causa do estresse. "Estresse e mau humor certamente dificultam a criação", opina a estudante de publicidade Mariana Moreira, que trabalha com direção de arte em uma agência de publicidade.
Ócio para criar
Referências de cinema, teatro, esporte e até cultura inútil ajudam a criatividade de Mariana a ir mais longe. "Por isso, considero um tempo para o ócio importante. Quando estou com alguma dificuldade de criar, fora da agência, costumo ver filmes, sair ou simplesmente parar de pensar e não fazer nada", conta, queixando-se de que hoje em dia é raro um publicitário ter tempo de ficar no ócio. Essa falta de tempo não é exclusividade dos publicitários. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em 2006, cerca de um quinto dos trabalhadores no país dedicavam ao serviço 49 horas ou mais por semana.
Um outro enfoque
Já Humberto Avelar, diretor de desenhos animados da Empresa Municipal de Multimeios do Rio de Janeiro (Multirio), tem uma opinião um pouco diferente. "Não acho que o ócio necessariamente estimule a criatividade. Ele é necessário na medida em que proporciona um descanso para que as idéias possam se organizar sem pressão. Nesse caso, o tempo ocioso usado de forma moderada pode ser bastante útil", avalia. Geralmente à noite, sem compromisso, Humberto se permite um tempo diante da televisão ou no computador. "Quando esse momento não é possível, sinto que a ansiedade aumenta e o prazer na criação diminui", diz.