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Estudo realizado pelos pesquisadores Luciana Silva Zanelato e Luiz Carlos de Oliveira, da Universidade do Sagrado Coração, de Bauru, SP, indica que vários fatores contribuem para o estresse dos motoristas de ônibus. O levantamento ouviu relatos de 204 condutores de ônibus da cidade de Bauru e dividiu as possíveis causas do transtorno em cinco categorias. Em "Condições das vias", são apontados as travessias inadequadas de pedestres e a parada do ônibus em lugar inadequado, entre outros; para "Condições de Trabalho", aparecem ruídos e vibrações do motor, restrições de água e banheiro, medo de assalto, carga horária elevada e exigências no cumprimento de horário e itinerário. Já nas "Condições de Clima" aparecem calor excessivo, chuva e incidência de raios solares. Por fim, as "Condições do ônibus" apontam o veículo muito usado e poltrona desconfortável como negativos e "veículo conservado" como positivo.
Outro problema considerado um fator estressante é o fato de alguns motoristas terem de, por vezes, ser responsáveis por receber o pagamento da passagem, o que, para alguns desvia a atenção da direção. No Estado do Rio de Janeiro, tramita na Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 783/2007, que discute o acúmulo das duas funções e ainda "Os condutores de veículos, segundo estatísticas, são os que mais sofrem em sua missão, sendo detentores dos maiores índices de doenças do coração, estresse, penosidade e periculosidade. Tudo isso provocado pela tensão permanente de um motorista que, ao mesmo tempo, deve estar atento à intensidade do trânsito e dar atenção aos passageiros", diz o documento.
Ainda sobre os profissionais, um trabalho de pesquisadores do Rio de Janeiro da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atenta para os vários problemas de saúde que acometem os motoristas de ônibus em geral, intitulado “Condições de saúde no setor de transporte rodoviário de cargas e de passageiros: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios” e publicado em 2005, nos “Cadernos de Saúde Pública”. Os pesquisadores Marcelo Néri, Wagner Soares e Cristiane Soares chamam a atenção para os fatores de sobrecarga postural que atingem estes profissionais, acarretando lesões na coluna vertebral, e para os problemas auditivos devido ao excesso de ruído, entre outros. No texto eles informam que “as chances de encontrar doenças no aparelho auditivo em motoristas profissionais são 2,7 vezes maiores se comparados a motoristas convencionais”. Da mesma forma, alertam que as doenças músculo-esqueléticas (dor nas costas, hérnia de disco, desvio de coluna etc.) aparecem 4 vezes mais nos motoristas quando são comparados a outros servidores públicos, por exemplo.
Considerando que “os prejuízos dos acidentes de trabalho, quase sempre causados pela falta de segurança, extrapolam o campo econômico e ganham uma dimensão social”. Além disso, “o aumento de consultas e internações demanda verbas públicas e privadas para o atendimento médico-hospitalar”, eles argumentam que “a implementação de programas que consistem em promover ambientes de trabalho seguros e saudáveis são de extrema importância para minimizar os potenciais riscos de acidentes e doenças no setor de transporte rodoviário de cargas e de passageiros”.