Sua Saúde

Proteínas da discórdia

Dieta de baixo consumo de carboidratos de Robert Atkins é vista com desconfiança por grande parte dos nutricionistas, apesar de estar na moda.

Vera Fischer, Carolina Dieckman e Gisele Fraga são algumas das celebridades brasileiras que, segundo diversas revistas que investigam os bastidores da fama, já teriam aderido à dieta das proteínas para perder gordurinhas indesejadas. Criada na década de 70, pelo cardiologista norte-americano Robert Atkins, a dieta consiste no corte de carboidratos (pão, massas, batata, frutas, vegetais) como tentativa de baixar a produção de insulina, hormônio do pâncreas que, quando produzido em excesso induz à hipoglicemia, causando a sensação de fome. Desta forma, ocorre a queima mais rápida de gorduras - utilizadas pelo organismo como reserva de energia.

No entanto, como acontece com toda receita milagrosa em que se consegue perder bastante peso em um curto espaço de tempo, o método de Robert Atkins é visto ainda com desconfiança por nutricionistas, entre eles Edna Garambone, da diretoria do Conselho Regional de Nutrição do Rio de Janeiro, que se diz totalmente contra à dieta de proteínas. Na opinião da especialista em nutrição clínica, o regime é falho por não estar relacionado a uma reeducação alimentar. "O método estimula a compulsão por alguma coisa, no caso, as proteínas. Além disso, ninguém pode passar a vida inteira sem consumir carboidratos. Se fosse assim, a população de países do Oriente, como Japão e China, que os utilizam em larga escala, seria predominantemente de obesos e não é", afirma.

Outro equívoco da dieta, apontado por Edna, é a abstenção de carboidratos no intuito de queimar a reserva de lipídios (gordura do corpo) de forma mais rápida. De acordo com a nutricionista, o carboidrato é um nutriente importante, com uma função específica e que deve ser aproveitado.

Além de não ser tão eficaz quanto parece à primeira vista, a dieta de Atkins pode provocar diversos problemas de saúde entre seus adeptos, adverte Edna Garambone. Segundo ela, a baixa ingestão de carboidratos gera um estágio de hipoglicemia, que faz com que a pessoa fique triste (devido à pequena quantidade de insulina, que também funciona como um neurotransmissor no nosso cérebro), não tenha energia para realizar atividades físicas, chegando até a desmaiar. "Nosso corpo é uma máquina que precisa de proteínas, mas também de carboidratos para funcionar", diz. Ela ainda lembra que a carne geralmente é rica em ácido araquidônico e nitrosaminas - que são substâncias cancerígenas - e tende a deixar o intestino sobrecarregado. "Ele passa a estar mais sujeito à prisão de ventre, pois recebe uma grande quantidade de carne e não funciona direito devido à baixa ingestão de fibras; isso pode até potencializar um tumor na região", diz.

Outra conseqüência indesejável é a queda da imunidade a médio e longo prazo, tornando o indivíduo mais propenso a doenças por conta de ausência de vitaminas, minerais e fibras, encontrados nas frutas e verduras. "Também é comum ter mau hálito, dor de cabeça, falta de disposição e náuseas devido à falta de carboidratos, o que desidrata o organismo e aciona um mecanismo para economizar energia como se a pessoa estivesse num jejum prolongado", diz.