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Associada a piores condições de vida, perda total dos dentes ainda é problema no Brasil

Artigo científico publicado em 2007 na revista Cadernos de Saúde Pública é taxativo: "o edentulismo - perda total dos dentes - é um dos piores agravos à saúde bucal". Assinado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de São Paulo (USP), o trabalho apresenta dados relativos a quase 13 mil pessoas de 35 a 44 anos que participaram do Projeto SB Brasil 2002-2003, realizado pelo Ministério da Saúde. Os resultados mostram que o maior número de participantes (24%) tinha entre quatro e oito dentes perdidos. O edentulismo atingia nove em cada 100 adultos.

Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro, um levantamento clínico foi feito no município, em 2005, com cerca de 2.900 pessoas de 65 anos ou mais. O número médio de dentes perdidos por indivíduo foi 21 no sexo masculino e 24 no feminino. Cada idosa tinha em média apenas cinco dentes sadios e cada idoso, sete. "A perda de dentes tem impactos negativos na qualidade de vida. Além de problemas na alimentação, destaca-se a diminuição da auto-estima", diz o dentista Elson Cormack, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

De acordo com Cormack, os dados apontam para o declínio do edentulismo no mundo, uma tendência positiva que pode atingir o Brasil. "Nos últimos anos, diminuiu o número de dentes extraídos no país", conta. Para o dentista, essa diminuição está associada a uma mudança de ótica na assistência odontológica, que passa a valorizar mais a prevenção e a recuperação dos dentes, em vez de extraí-los. Outras razões apontadas pelo professor são a adição de flúor na água de abastecimento e nos cremes dentais e a implantação de Centros de Especialidades Odontológicas em diversos municípios. Porém, Cormack reconhece que a perda dentária continua sendo um problema, principalmente, nas camadas populacionais com menores rendas e escolaridade.

O dentista Paulo Frazão, professor da USP, lembra que cerca de metade dos brasileiros ainda não tem acesso à água fluoretada e que a disponibilidade de serviços públicos odontológicos é insuficiente. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2003, 15,9% dos brasileiros nunca tinham consultado o dentista. Esse percentual ultrapassava os 30% entre aqueles com rendimento mensal familiar até um salário mínimo, mas era inferior a 3% entre os que recebiam mais de 20 salários.

"Do ponto de vista populacional, as principais doenças que levam à perda dentária são a cárie e a periodontite (tipo de doença da gengiva), para as quais os recursos de prevenção são conhecidos", argumenta Frazão. Para a Gerente de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Marcia Torres, a prevenção requer medidas simples como água fluoretada, alimentação adequada, com consumo inteligente do açúcar, rotina de escovação dentária e uso de fio dental regularmente. "É importante a adoção de políticas públicas de saúde que trabalhem tanto os procedimentos curativo-reabilitadores como a educação, a prevenção e a promoção da saúde", ressalta.

Veja dicas de uma escova correta em:
http://www.saude.rj.gov.br/guia_sus_cidadao/pg_32.shtml