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Para a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo não é apenas a primeira causa de morte que poderia ter sido evitada (chamada de morte evitada), mas também uma patologia pediátrica, seja porque a maioria dos casos de dependência se inicia antes dos 18 anos, ou pela estreita relação entre crianças, adolescentes e tabagismo passivo. De acordo com a entidade, é a terceira causa de morte evitada. Não é à toa que este é o foco da campanha deste ano, que vem com o slogan "Juventude Livre do Tabaco".
"Os mais novos são as principais vítimas do tabagismo passivo, pois não têm como evitar totalmente o contato com a fumaça. Existem pais que deixam cigarros em cinzeiros localizados em mesas que ficam na altura das crianças; isto sem contar os casos das crianças de colo que absorvem todas as substâncias tóxicas, mesmo quando os responsáveis fumam com rosto virado e se dirigem a ambientes abertos", diz Valéria Cunha, médica da divisão de Controle de Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
As conseqüências da absorção dos componentes químicos do cigarro são notadas em curto, médio e longo prazos, afirma Valéria. "Primeiramente, as crianças começam a ter olhos e nariz irritados. Depois, tornam-se mais suscetíveis a problemas respiratórios, como pneumonia, bronquite e exacerbação da asma. Por fim, podem acabar desenvolvendo um câncer de pulmão. Os estudos mostram que aproximadamente 3% dos que apresentam tumores desse tipo são fumantes passivos", diz.
Os malefícios do tabaco não param por aí. Bebês que são filhos de mães fumantes apresentam risco cinco vezes maior de ter síndrome de morte súbita. "Cada cigarro possui uma parcela de monóxido de carbono, mesma substância encontrada na fumaça eliminada pela descarga dos carros. Ela faz com que a concentração sanguínea de oxigênio diminua, o que pode fazer com que o bebê nasça prematuro, abaixo do peso ou que ocorram sangramentos. Em crianças maiores, ocasiona diminuição do rendimento escolar e físico", revela a médica. Segundo Valéria, a quantidade de nicotina absorvida por fumantes passivos é bem maior, pois os cigarros contam com filtros. Além disso, eles também absorvem 50% a mais de alcatrão. "Para se desintoxicarem totalmente seria necessário que não ficassem mais expostos à fumaça por 20 anos", completa.
Outro desdobramento negativo do consumo de tabaco pelos pais é o fato de o hábito ser iniciado cada vez mais cedo. Valéria Cunha conta que, em levantamento realizado em 2003, foi verificado que já existem crianças que experimentam a droga aos 5 anos e a utilizam regularmente aos 12. Outra informação que salta aos olhos é o aumento do número de meninas que fumam. "Por isso, também aumentou a quantidade de complicações relacionadas à associação entre tabaco e pílula anticoncepcional. A mistura aumenta o risco de derrame, de embolia e dependência química, e ainda pode levar à infertilidade", diz.
Neste ano, uma das estratégias previstas no Programa Nacional de Controle do Tabagismo para alertar os mais jovens acerca dos malefícios do tabaco é o lançamento de três novas imagens nos maços de cigarro. De acordo com a médica do INCA, tal recurso aliado a campanhas educativas fez com que as complicações decorrentes do tabagismo fossem mais discutidas, assim como seu consumo em ambientes públicos. "Antes, prevalecia a idéia de que 'os incomodados deveriam se mudar', mas hoje tal hábito já começa a ser questionado. Já há um avanço na postura dos brasileiros", diz.
Para saber mais sobre os malefícios relacionados ao consumo de tabaco, acesse o site do Inca.