Sua Saúde

Corpo e mente em ação

Profissionais discutem sobre os benefícios da ioga

Faz aproximadamente 40 anos que a ioga foi incorporada à rotina da professora de Educação Física Norma Pinheiro. Ela buscou a atividade para tratar de problemas posturais e, desde então, não parou mais de se aprofundar nessa técnica indiana que existe há pelo menos cinco mil anos. Hoje, ministra exercícios para praticantes e dá aulas em uma pós-gradução em ioga. Para ela, a atividade é completa, na medida em que trabalha corpo e mente de forma integrada.

"Não há a separação, pois um nível influencia o outro. Uma das principais contribuições é o desenvolvimento de uma atitude positiva perante a vida e do auto-domínio, por meio de vivências nos diferentes estados de consciência. Esse controle ajuda a lidar melhor com a ansiedade e a tratar, por exemplo, uma compulsão alimentar por guloseimas, o que certamente afetará o condicionamento físico", diz Norma, que é membro do Conselho Federal de Educação Física. Os benefícios da atividade não param por aí, garante a instrutora. Segundo ela, a atividade trabalha a parte de força, flexibilidade e alinhamento estrutural, o que permite corrigir alguns danos posturais, entre eles a lordose. "Há também alguns movimentos que atuam sobre glândulas, como acontece com a postura do peixe, que influencia o funcionamento da tireóide", completa.

Roberto Simão, professor e pesquisador da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ), acrescenta outros itens à lista de benefícios da ioga. "Como qualquer atividade física, proporciona redução da pressão arterial e da freqüência cardíaca, em repouso, e aumento da sensação de bem estar. Também é forte na parte respiratória e trabalha a flexibilidade, importantes componentes da postura e do equilíbrio. Dessa forma, a prática pode ser bastante positiva para todas as idades, principalmente para os idosos, pois ajuda a lidar com lesões como as hérnias de disco e toda limitação músculo-articular que influencia os movimentos", diz.

No entanto, ressalta Simão, existem benefícios atribuídos à atividade que ainda não foram comprovados por pesquisas. "Infelizmente, a ioga ainda deixa muitas lacunas na parte científica. É dito que ela tem um gasto de energia intenso, mas existe apenas uma evidência científica sobre isso, que afirma que esse percentual é baixo. Também é dito que ela melhora a postura, mas isso depende muito do direcionamento. Portanto, mais estudos devem ser realizados para verificar os benefícios dessa prática milenar", diz.

Polêmicas à parte, uma coisa é certa entre os especialistas: para que a atividade seja realmente benéfica é necessário que seja feita sob orientação capaz de discernir qual estilo se enquadra melhor às necessidades de cada praticante. "Existem pessoas que talvez não possam fazer alguns exercícios, especialmente os de estilos mais intensos, que exigem mais força, como os da power ioga. Eles exigirão mais do corpo e, conseqüentemente, poderão aumentar os riscos de lesões, principalmente as musculares, na coluna e nas articulações, com destaque para ombro, cotovelo e joelho. Há também posições que deixam o praticante estático por muito tempo, o que aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca, e pode ser um fator negativo para pessoas hipertensas, por exemplo", destaca Simão.

Norma Pinheiro Alves discorda de Simão. Segundo ela, a atividade não oferece riscos desde que seja conduzida por um profissional que realmente domine a técnica. "A ioga deve ser aplicada sempre de forma personalizada. É necessário conhecer o aluno e colher a história dele para saber quais exercícios se enquadram no perfil de sua pessoa e nas situações que está enfrentando. Gestantes e idosos, por exemplo, devem procurar uma assistência especializada", ressalta.

Quer praticar ioga com segurança? Então consulte o Conselho Federal de Educação Física para buscar locais e instrutores preparados. Os telefones de contato são: (21) 2526-7179, 2252-6275, 2242-3670 e 2242-4228.